Invasão americana – cresce o número de exportações de cervejas para o Brasil

Muita calma nessa hora, não é o ‘imperialismo capitalista’ fincando a bandeira em solo brasileiro. Mas, para quem curte uma boa cerveja pode comemorar a presença dos yankees, como é o caso deste blogueiro aqui. Os principais expoentes da craft beer revolution não param de produzir, criar e participar de novos mercados. É uma verdadeira invasão americana que cresce ano após ano o número de exportações de cerveja para o Brasil, mais especificamente.

De acordo com matéria publicada no Portal IG, em 25/10/2013, o mercado americano continua a crescer. “Existem uns 2.600 fabricantes de cervejas artesanais nos Estados Unidos, e o volume das vendas de suas cervejas cresceu 11% em 2011 e 14% em 2012, segundo a empresa de pesquisa de mercado Technomic, atingindo quase 13 milhões de barris”.

A tendência é de aumento também no volume de exportações. É um fenômeno mundial, mas basta pegarmos o caso do Brasil para notarmos um incremento no número de cervejarias exportando ano após ano. Somente em 2014 já tivemos notícias de mais de 15 cervejarias iniciaram exportações ou passaram a exportar novos rótulos.

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Alguns dos exemplos são a Chocolate Hazelnut Porter da Heretic, Bourbon Barrel Stout da Anderson Valley e All Day IPA e Centennial da Founders em lata. Ambas já vinham para o Brasil em garrafas. (Fotos: divulgação)

Em março deste ano, o blog Bebendo Bem publicou um post justamente sobre isso. De acordo com o post, as exportações americanas para nosso país cresceram 12% no ano de 2013 em relação a 2012. “Isso se deve muito à atuação da Brewers Association, que trabalha no sentido de promover as cervejas americanas mundo afora, com o seu Export Development Program”. Confira o post completo clicando aqui.

Não foi a toa que em 2013 uma comitiva da Brewers Association esteve Brasil durante a realização da Brasil Brau. Algo que rendeu e está rendendo frutos até hoje. A visita contou com a participação de proprietários e cervejeiros como Phin DeMink, da Southern Tier, que passou a exportar para o Brasil. Já chegaram por aqui 12 rótulos desta cervejaria de Lakewood, New York. O TripBeer já promoveu uma degustação de todas elas, confira aqui.

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Percentuais do crescimento das exportações americanas (Crédito: Brewers Association)

Bom, se por um lado para o consumidor é festa, nem sempre para a cervejaria é. A Flying Dog era importada e teve sérios problemas com o desembaraço alfandegário e a carga chegou a ficar parada no porto sem as menores condições adequadas de armazenagem. Por fim, a cervejaria aparentemente não quer saber do Brasil e isso deve permanecer por um bom tempo.

Nesta segunda, surgiu o comentário de que a Founders está para deixar o país também. Problemas com o importador. Bom, enquanto não sai uma notícia oficial da Tarantino, nota-se que a burocracia e o controle de qualidade são enormes desafios para um incremento ainda maior no número de rótulos e cervejarias que aqui chegam.

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Os primeiros rótulos da Founders e da Rogue a chegaram no Brasil em 2012

Mas, enquanto isso, já são disponíveis cervejas da Founders (pelo menos ainda), Anchor, Anderson Valley, Heretic, Rubicon, Lost Coast, North Coast, Stillwater, Pyramid, Ballast Point, Coronado, Bear Republic, Speakeasy, Shipyard, Sea Dog, Brooklyn, Mad River, Marin, Eel River, Samuel Adams, Epic, Rogue, Green Flash, Sixpoint, Southern tier, Alameda, Moylan’s, Black Diamond e a expectativa é que outras se juntem a estas.

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Alguns rótulos Shipyard, Pyramid e Lost Coast que chegaram neste ano

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Rótulos da Mad River, Stillwater e Caldera

Em número limitadíssimo já estiveram a Odell com a sua IPA. Em 2013 durante o Mondial de la Biére no Rio de Janeiro,  estiveram presentes alguns rótulos da Dogfish Head, Sierra Nevada, Lagunitas e Schmaltz (He’Brew), importados exclusivamente para o evento.

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IPA da Odell que veio para o Brasil e foi degustada no IPA Day do TripBeer

 

2014

Este ano realmente está sendo uma benção para quem sempre quis ter acesso a algumas das belezas produzidas na terra do Tio Sam. Além de muitas que foram citadas anteriormente e chegaram aqui pela primeira vez nos últimos meses, os grandes destaques do ano foram à vinda da The Bruery Jolly Pumpkin. De junho pra cá também já chegaram a Caldera, High Water, North Peak e Hop Valley.

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Até o momento a importação da The Bruery e da Jolly Pumpkin foram os marcos de 2014!

Extremamente aguarda e que deve finalmente chegar nos pontos de venda nas próximas semanas, é a Prairie Artisan Ales.

 

Mão dupla

Essa conexão cervejeira começa a fincar a bandeira brasileira também no solo americano e a fomentar parcerias. Em 2013 ocorreu a exportação da Colorado, que inclusive precisou trocar o nome da Ithaca por questões de direitos autorais, pois o nome já é utilizado por uma cervejaria local. Também foi exportada a IPA Vixnu e uma inédia, a Berthô, que é uma brown ale com castanha-do-pará, que hoje já é comercializada no Brasil também.

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Rótulos da Guanabara e da Berthô. A Guanabara em nada remete a conhecida Ithaca, mas faz clara alusão ao Pão de Açúcar por levar rapadura. Além de ser, obviamente, um dos cartões postais do Brasil no mundo.

O caso mais recente é o da mineira Wäls que além de exportar, criou uma submarca chamada Belô para valorizar a terra e resolveu por os pés e mão na massa e dar um passo mais ousado. Estão construindo sua própria fábrica em San Diego, Califórnia. A inauguração possui previsão para dezembro.

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Tanques da fábrica da Wäls nos EUA (Foto: crédito blog AllBeers)

As colaborações também tiveram vez. Para citar alguns dos exemplos mais marcantes temos a 6 o’clock, fruto da colaboração entre a Invicta e a Sixpoint. A Stillwater criou a Saison de Caju com a Tupiniquim e a Stone a Cacau IPA com a Bodebrown. Por falar em Stone e Bodebrown a coisa deu tão certo que a cerveja vai ganhar uma nova versão e já está participando do Groundbreaking (veja mais aqui), que contempla uma série de colaborativas com algumas das mais renomadas cervejarias do mundo para a nova fábrica dos americanos em Berlim, Alemanha.

Stillwater / Tupiniquim Saison de Caju degustação Trip Beer

Degustação da Saison de Caju

A Stillwater está nacionalizando a Classique. Produzida na fábrica da Tupiniquim, o nome da versão brasileira será Clássica Tropical.

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Rótulo nacional da cerveja (Foto: Stillwater)

Futuro

Se consideramos a existência das cerca de 2.600 cervejarias e menos de 40 delas chegam aqui, abre-se um enorme espaço para uma maior oferta de rótulos e cervejarias. Quem nos dera ver Dogfish Head, Sierra Nevada, Avery, Lost Abbey, Cigar City, Firestone Walker, Odell, Allagash, Stone e outras dezenas disponíveis nas lojas e sites a preços justos para comprar, não é mesmo? Por enquanto, infelizmente, muita coisa só é possível contando com a famosa mala amiga e as listas de e-mails, com preços nem sempre agradáveis. Vamos ao trabalho importadoras!

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Esse é o tipo de variedade que esperamos que ainda cheque por aqui oficialmente

 

E vocês, quais cervejas americanas gostariam de ver por aqui?

 

Saúde e viva a variedade de cervejas!

By | 2014-09-02T21:43:28+00:00 September 2nd, 2014|Curiosidades|0 Comments