Cerveja artesanal em lata avança no Brasil!

Sabe aquela Dogma Rizoma ou Estigma, a Oceânica Yellow Cloud ou a Perro Libre Sorachi Berliner? Apesar das diferentes cervejais elas possuem um comum o envase em lata e passam de um período tendência/hype para a consolidação deste formato de embalagem nestas cervejarias e no cenário da cerveja artesanal no Brasil como um todo.

Já tratamos em 2015 de uma invasão de cervejas artesanais em lata – veja aqui -, tanto nacionais quanto importadas, e naquele “princípio” das latas no país em nosso líquido fermentado favorito, a coisa já era promissora.

Afinal, era ano de surgimento da DaLata Brasil – Mobile Canning, a primeira e até então a única envasadora móvel de latas brasileira. Saiba mais sobre eles aqui.

Essa pequena retrospectiva esbarra neste primeiro semestre de 2017 e dá um sinal de crescimento vertiginoso deste tipo de envase, como será possível conferir abaixo.

cerveja oceânica yellow cloud em lata

 

Como é nos EUA?

Fora ideologias e ideias pré-concebidas, os EUA seguem sendo referência para muita coisa no mercado e para as cervejas não é diferente.

Em matéria publicada no UOL Economiaacesse na íntegra aqui – são confirmadas a existência de 12 envasadoras móveis que lá, assim como aqui, poupam pequenos produtores do custo de um maquinário fixo e reduzem custos com embalagens.

Um dos principais exemplos é a Iron Heart, que possui uma frota de 22 caminhões de envase e representa sozinha quase 3% do envase do setor de artesanais de lá.

É muito e não para de crescer. Cada vez mais cervejarias surgem e envasam além dos barris, apenas em lata ou adotam a lata como complemento do portfólio.

Hoje, a Iron Heart tem 22 caminhões que atendem a cerca de 250 cervejarias. Operando à máxima capacidade, eles podem encher umas 563.000 latas por dia. São 642.000 barris de cerveja por ano, quase 3 por cento de toda a produção artesanal dos EUA. Em outras palavras, a companhia produziu cerca de um quarto de todas as novas cervejas artesanais lançadas nos EUA nos últimos dois anos“.

Como é no Brasil?

Apesar da ausência de informações claras sobre indicadores do setor de cervejas artesanais no Brasil, ainda é possível criar um panorama com algumas bases de dados.

Por exemplo, a Abralatas – Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio – possui compilados até o ano de 2015. Neste ano foram vendidas cerca de 25 bilhões de latas, antes pouco menos de 20 bilhões em 2011.

Claro que não são só de cervejas, mas percebe-se a vigorosidade da famigerada latinha, lata, latão…

Extratificando para o share total do setor de cervejas, temos o seguinte gráfico:

abralatas cerveja

Como o mercado de artesanais possui cerca de 0,7% do setor de cervejas – dados de uma pesquisa feita pelo Instituto da Cerveja – ou cerca de 91 milhões de litros dos 138,6 milhões de hectolitros produzidos, as latas possuem muito, mas muito ainda a crescer aqui no Brasil.

Isto apesar da representatividade que já alcançou e do esboço de consolidação que começa a possuir. Uma vez que nitidamente é um caminho sem volta e cada vez mais cervejarias adotam a embalagem para os seus rótulos.

DaLata Brasil

Considerando que apenas a Tupiniquim possui linha própria de envase em latas (e operando a pouco menos de 2 meses), vamos considerar apenas as informações da DaLata Brasil.

Conversamos com Rodrigo Costa, um dos responsáveis pela empresa e obtivemos mais alguns dados para apresentar.

A envasadora já trabalhou e trabalha com marcas como Dogma, Dádiva, Burgman, Mea Culpa, Mistura Clássica, Antuérpia, Landel, Capa Preta, Oceânica, Falke Bier, Way Beer, Saint Bier, Schornsteins, Zeit, Overhop, dentre outras.

Desde o surgimento em 2015 até o presente momento o crescimento foi de 1.900% de acordo com Rodrigo Costa.

Assim como a Iron Heart nos EUA, a DaLata Brasil está com mais equipamentos chegando para abrir filiais no Sul, e entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.

E aqui vai o X da questão. A média de litros envasados com a máquina atual gira em 40 a 60 mil litros/mês, atendendo de 10 a 12 cervejarias.

Lembram dos 91 milhões de litros produzidos? Mesmo acrescentando os litros enlatados da Tupiniquim e de cervejarias de médio porte como a Therezópolis, as latas ainda não representam nem 0,0001% do total das cervejarias artesanais.

 

Caminho sem volta

Considerando que em 2 anos de operação a DaLata cresceu 1.900% e há cada vez mais interesse em envasar em lata, é possível imaginar uma projeção com a mesma taxa de crescimento, somando ainda a possibilidade de cervejarias mais consolidadas em adotar maquinário próprio, além de surgirem novos players no envase móvel.

0,0001% é muito pouco, mas é mais que os 0% que existiam há pouco mais de 2 anos e dão margem para despertar o interesse de investidores e empreendedores em promover as latas, abocanhando mais % do total envasado das cervejas artesanais.

 

Importação

De olho nesse hype, importadores trazem cada vez mais rótulos em lata para o Brasil.

Evil Twin, Against the Grain, Shipyard, Fuller’s, Oskar Blues, Cigar City e Founders são alguns dos exemplos gringos que tiveram a embalagem lata valorizada no portfólio trazido  nos últimos tempos.

Infelizmente não há dados sobre o percentual de latas consolidado das importações.

evil twin even more jesus em lata

 

Saúde!

By | 2017-05-04T12:58:48+00:00 May 4th, 2017|Curiosidades|0 Comments